sábado, 23 de fevereiro de 2008

MSN


;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
esta aconetec endo uma coisa que eu acho muito bizarra
...queridos inimigos diz:
o quê?
;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
to falando com uma amiga que não falo ha tempos
;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
pergunto: como vc tá?
;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
e ela: ah, troquei de carro, comprei um apartamento...
...queridos inimigos diz:
hehehehehehehhhe
;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
mas me diga, isso responde a pergunta?
...queridos inimigos diz:
ela tá incrível financeiramente falando.
;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
acho que ela esta mega financeiramente vivendo
...queridos inimigos diz:
hehehehehe
;;;VACA JERSEY FOI PRO BREJO;;;;;; diz:
gente , as pessoas não sabem mais dizer que estão bem, felizes, ou mais ou menos... elas jogam a declaração de imposto de renda na sua cara

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O FILÓFOSO


A questão da problematização sólida dos continentes etéreos de uma massa amorosa mais vermelha do que cinzenta é que a intenção absoluta do ato se dissipa na absoluta tensão do fato e todo o ambiente se cristaliza em um só gosto, fazendo da questão algo que individualiza o ser e age em conjunto com alguns sentimentos objetivos, exatos e desconexos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Oração para o Ano Novo




Que Deus me proteja pra sempre da falta de sonho, que esteja comigo todas as vezes que o juízo quiser atacar meu cérebro fazendo de mim um homem comedido e sensato. Que evite que meus devaneios se transformem numa meticulosa planilha no excel. Que Deus me proteja, com sua força e luz, da mediocridade escassa de sobressaltos da realidade cotidiana. Que esteja comigo para que eu jamais me contente com empregos e salários e apartamentos e grifes e queira algo mais excitante, berrante, arrepiante da vida…
Ah, que me proteja dos chatos, das conversas burras, de gente preconceituosa, careta, mesquinha e egoísta… Que a força divina me impeça de trabalhar apenas para pagar um financiamento em 120 meses de um apartamentinho qualquer. Que evite que eu tenha um relacionamento morno e sem graça.
Me proteja, senhor, da ausência de ousadia na vida, da sensatez estéril …
E me permita tomar meus porres, ter minhas idéias, fazer projetos, falar bobagens, implicar com quem amo, quebrar a cara e dançar livre em alguma madrugada…
Mantenha-me procurando os diferentes e sendo assim mais igual aos diferentes do que aos iguais…
Que eu ainda consiga mergulhar na minha pequena insensatez e sentir que sou cada vez mais eu mesmo. Que eu possa fazer o que posso e sentir que assim estou vivo e caminhando e crescendo. Que meu choro venha com mais vigor, que meus afetos não tenham medo do esforço e invadam minha vida com seus doces e seus amargos...
Que eu sinta o gosto das coisas.
E permita que eu dance pelado pela minha casa, cantando uma música qualquer dois tons abaixo do correto e achando que um dia ainda vou aprender a cantar. E permita que eu goze com meu amor não apenas o sexo mas o companheirismo, a parceria e a cumplicidade. E permita também que eu realize uma ou duas fantasias sexuais bem apimentadas, daquelas que não tenho coragem de mencionar ao senhor.
Permita que eu desenhe e pinte e escreva feito um louco mesmo que tudo vá para o lixo depois. Permita que eu perca tempo, que não faça nada, que devaneie ao menos duas vezes por dia.
Senhor, permita que eu seja criança, que eu brinque, que eu me engane, me decepcione…
Fazei, Senhor, com que eu sinta os sentimentos, com que abrace meus amigos, com que eu abrace os desconhecidos, com que possa estar ao lado de alguém que necessita de ajuda e compreensão em 2008. E com que eu possa pedir ajuda sempre que precisar. E possa chorar e rir sempre que tiver vontade. E não tenha vergonha de demonstrar o que sinto.
Me permita olhar nos olhos das pessoas, me permita dizer o que sinto, me permita reforçar os laços.
Permita que eu possa sempre confiar e acreditar e mergulhar de cabeça mesmo que ás vezes bata de cara no fundo duro de uma piscina rasa.
Me permita sonhar alto, jogar alto, arriscar de verdade.
Me afaste das piscinas rasas, dos aquários apertados e faça com que eu nade em mares abertos mesmo que engula baldes de água quando o fôlego acabar.
Faz de mim um homem mais corajoso no próximo ano, Senhor.
Quero viver assim em 2008.
E em Dezembro do ano que vem quero estar um pouco mais humano do que estou agora.
Pra pedir tudo isso de novo

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007


Confesso que estou em um momentos de "apostas altas" na vida, o que me faz viver um turbilhão de emoções. Por vezes sou todo serenidade e equilíbro, noutras sou apenas medo e olhos assustados... O que era conflito passa ser apenas uma lembrança, cedendo seu lugar a um outro conflito, desconhecido, que emerge clamando por atenção e assim, sucessivamente, velozmente, vertiginosamente, os conteúdos da minha subjetividade louca e agitada executam sua dança das cadeiras.
Talvez seja por isso que o amor se assusta comigo e eu com ele. Sempre tive muita energia emocional, e sentir com vigor é meio demodê. Quando eu amo sou oceano e os mergulhos hão de ser profundos... Bater as pernas no raso pode ser divertido no início, mas é melancólico depois de um tempo. Pude ver isso muitas vezes, pude ver amigos leves, desencanados e superficias, tornando-se amargos e ressentidos... E patéticos... Brincando de nadar com a água pelas canelas...
Estou no fundo do mar, é lindo aqui... Se o ar acabar e eu morrer, ao menos terei visto a sereia...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

1, 2, 3, 4.


1.
O chão está frio. Ele não se importa, não ao ponto de parar, ou de ao menos pensar em colocar os sapatos... Segue caminhando descalço no chão gelado. Essas calças de pijamas já estão curtas, pode ver suas canelas, daqui há pouco poderá ver seus joelhos, porque as calças estão curtas e ele não pára de crescer... Não sei se pensaria assim quando tinha três anos... Não sei se pensaria em calças curtas e em estar crescendo tanto... Mas hoje, lembrando-se daquele dia pensou... É como se houvesse feito toda essa reflexão sobre os pijamas e o crescimento com três anos de idade. Nada disso. Naquele dia certamente ele apenas caminhava pelo chão frio com os pés descalços... e caminhava rápido e nas pontas dos pés para chegar logo onde queria. Lá estava ele, saindo da cama e indo ao encontro da mãe na cozinha sem antes calçar os sapatos.
Os dias frios da infância parecem tão mais frios quando ele se lembra deles hoje. Assim como tudo me parece ser tão mais triste. Não sabe se era triste naquele tempo. Talvez nem sequer perecebesse os motivos que faziam sua infância estar longe de ser a infância que queria... Porque naquele tempo talvez ele nem pensasse em querer uma infância diferente… Não pensava em nada disso, ou se pensava , não lembrava mais.
O chão ainda está gelado sob seus pés, vê as canelas no pijama curto, procura sua mãe que deve estar fazendo café na cozinha… Sente frio…
A casa é escura e triste. Uma casa não pode ser triste. Tristes eram as pessoas… Ou triste é lembrar disso tanto tempo depois.
O chão frio faz com que o percurso que separa seu quarto da cozinha fique ainda mais longo… Caminha rápido e parece nunca chegar aonde quer… Os pés gelados…
Acordar e sair andando pela casa vazia a procura de alguém era o momento em que sentia-se só e corajoso. Desbravando o espaço sem que ninguém o controlasse ou protegesse… Imaginava –se astuto e rápido, passando entre os leões selvagens que dormiam no corredor da casa, pronto para lutar caso algum deles acordasse e resolvesse atacar…Estava na selva do seu corredor e tinha alguns minutos dessa aventura excitante até que sua mãe o visse
“meu deus, o que vc está fazendo fora da sua cama? E descalço nesse piso frio…” Então ela o tomava nos braços e o devolvia ao colchão.Ele não era mais o herói desbravador do perigoso caminho entre o quarto e a cozinha. Era apenas um menino no colo da mãe…

2.
O chão está frio. Ele sai do banho e esquece de calçar os chinelos. O banheiro branco inunda-se com a luz do sol da manhã. Tudo é claro no banheiro branco. Pára em frente ao espelho embaçado para fazer a barba. Os pés no piso frio do banheiro o fazem ter pressa para sair dali e calçar seus sapatos. Uma gota vermelha emerge na face depois de um movimento mais afoito com a lâmina de barbear. A pressa… Ele sabe que poderia parar, calçar os chinelos e fazer a barba tranquilamente. Não faz isso. Ele não age tranquilamente. Estanca o sangue com um minúsculo pedaço de papel higiênico. O pequenino retalho branco de papel adere á pele recém barbeada e logo tinge-se de vermelho também. Um círculo vermelho bem no meio do retâgulo branco de papel. E ele pensa que tem a bandeira do Japão em sua face.
Fica uns instantes parado, olhando a sua pequena bandeira do Japão…
O chão gelado sob os pés o faz lembrar que precisa se apressar. Gosta de ficar horas detido em seus pensamentos, em suas pequenas imaginações, suas observações pueris a respeito de tudo. Não pode mais. Tem que trabalhar agora. Os momentos em que divagava sobre o nada ou qualquer coisa que lhe parecesse interessante em frente ao espelho o faziam ter a sensação de ser especial. Queria habitar esse mundo que trazia na cabeça. Queria ser sútil e sonhador. E respirar uma espécie de éter que o levasse pra longe. Mas o relógio marcava seu tempo e o trabalho o esperava. Ele não era mais o gênio com olhos de lince capturando detalhes tão discretos do mundo que ninguém mais podia ver. Era apenas um homem que tinha que trabalhar…

3.
Levanta-se devagar.
Move-se tão lentamente que nem pode acreditar que é a mesma pessoa que sempre teve tanta pressa ao acordar…
O chão frio debaixo dos seus pés descalços…
Calça um chinelo lentamente.
Olha para a cama vazia.
Quer voltar e domir pra sempre.
Os pés quentes, protegidos pelo chinelo de feltro…
Silêncio durante seus momentos de inércia…
Sente as pálpebras pesadas sobre os olhos, sente os braços pesados querendo chegar ao chão, a vida pesada sobre as costas…
Não vai a lugar algum. Fica parado diante da cama. Nenhuma pressa, nenhuma urgência…
Pensa em beber alguma coisa. Desiste. Beber pela manhã não parece boa idéia. Nada lhe parece boa idéia.
Olha para a cama mais uma vez.
Vazia.
Consegue chegar até a cozinha . Anda tão lentamente que parece não estar andando. Sente-se como se fora levado por algo ou alguém. Prepara um café. Esbarra na xícara que cai no chão e se parte em dois pedaços grandes. Pega outra xícara. A primeira permanece no chão, quebrada em dois pedaços.
Agora ele não tem mais nenhuma pressa. Pode ficar olhando os dois pedaços da xícara que nunca mais se juntarão. Ele não é mais alguém que precisa correr para o mundo e começar a trabalhar.
É apenas um homem sem vontade.

4.
Ele está frio.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Prozac



O bar não poderia ter nome mais apropriado: Van Gogh! Algumas garrafas de cerveja sobre a mesa. Algumas doses de tequila fazendo uma viagem alucinante pela minha corrente sangüinea, eu, alguns conhecidos e aquela mulher que se aproximou de nós e acabou sentando com a gente. Era uma daqueles momentos bizarros, um encontro de pessoas bizarras... A mulher era uma mistura de prostituta junkie com professora de catequese. Aquela cara branquinha, aquele olhos azuis , aquele comportamento mais do que vulgar, aquelas roupas de dançarina de grupo de pagode prestes a se aposentar...
Um corpo que não era bonito, magro demais...um rosto que não era bonito, cansado demais... E roupas que ela jamais deveria usar. Ela era vulgar! Mais vulgar do que qualquer outra naquele bar, mais vulgar e barata que qualquer outra... Esperava tudo daquela mulher, menos que ela fosse capaz de formular frases.

- Será que o Prozac pode acabar com a arte? – disparou entre um gole de tequila e outro.
Fiquei em choque. De onde ela tirou essa idéia?
- De onde você tirou essa idéia? – perguntei imediatamente.
- Ué, vocês estavam falando que arte é um jeito de agüentar as angústias, que arte só existe porque existe a angústia, o Prozac acaba com as angústias , então pensei que o Prozac poderia acabar com a arte também... – ela respondeu sem pestanejar.
- Hã?! – eu, estupefato, sem saber o que dizer.
Ela me olhava e sorria singelamente mostrando seus dentes amarelados de tanto cigarro enquanto esperava minha resposta.
- Não sei – respondi – E você, o que acha?
- Pra mim não muda nada, não sou artista. Só admiro vocês que podem fazer essas coisas, se eu pudesse pintava um monte de quadros e botava na minha sala. Ou então vendia…
- Mas quando você tem angústias o que você faz?
- Isso que eu tô fazendo agora?
- Isso o quê?
- Vou a um bar e sento na mesa de um desconhecido, qualquer um, um cara solitário, carente, que esteja afim de papo e me pague uma bebida. Fico falando umas bobagens, encho a cara de tequila e esqueço as minhas tristezas, esqueço tudo…

Não ousei perguntar, mas era óbvio que naquela noite o desconhecido solitário, carente, e afim de papo com qualquer pessoa era eu. Aquela mulher decadente, abandonada, mal vestida, feia e magra que eu permiti que se sentasse na minha mesa como um favor, uma concessão, um ato de caridade que se faz para um ser necessitado acabara de dizer que me via como um cara solitário, carente, louco por qualquer companhia e otário, que paga a bebida que ela não pode pagar...

- Tu acha que arte só existe porque as pessoas são angustiadas? – ela insistiu em me interrogar.
- Não sei – eu repsondi, meio confuso...
- Se tu vai num psicólogo, tu não precisa mais ser artista , né?
- Sei lá. – eu não sabia mais o que dizer.
- Mas será que vale a pena? Acho melhor ser artista do que ir no psicólogo e depois não saber mais pintar nada.
- Pode ser...- aquilo já estava me irritando muito.
- Eu não tenho psicólogo e não sou artista, que merda, né?

Fiquei mudo. Não sabia mais o que dizer para aquela criatura que me interpelava com questões tão complexas. Bebi mais um gole de tequila tentando ganhar tempo até que me ocorresse uma resposta que justificasse a impáfia com que eu a havia tratado até o momento…
Observei-a cuidadosamente. A saia curta de Lycra preta, a miniblusa de um tecido metalizado, as costelas que apareciam no corpo magro, os seios pequenos e bem abaixo do que deveriam estar…
Ela bebeu o último gole de tequila que havia em seu copo enquato rabiscava algo em um guardanapo com a caneta que o gaçon deixara sobre a mesa… Olhava para mim como se soubesse que eu não tinha resposta. Seus olhos fundos… me olhavam com uma esperteza que eles definitivamente não tinham dez minutos antes… Percebeu meu contragimento, deve ter se enchido da minha companhia, sei lá…
Levantou-se .

- Tudo bem, gato, não fica pensando nisso, não… Prozac, arte, médico… No fim é tudo a mesma bosta… Vou nessa…

Carimbou minha bochecha com seu batom vermelho vivo e saiu cambaleante, esbarrando nas pessoas que estavam por perto. Pensei em chamá-la de volta. Nem sequer sabia seu nome. Também achei que não seria bom me humilhar novamente dizendo que queria a companhia dela, e que ela se revelara uma companhia interessante, e que eu até começara a ver um certo charme em sua face marcada de rugas e maquiagem barata…
Esbocei um aceno.. Ela nem viu. Foi bêbada por entre as mesas até sumir porta afora…
O guardanapo rabiscado ficou sobre a mesa: Úrsula, Úrsula, Úrsula, Úrsula, Úrsula…